Campina Grande, 05 de Setembro de 2010

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Entrevistas

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Segunda-feira, 5 de Abril de 2010

Manoel Medeiros

Formado em medicina pela UFCG – na época UFPB - Manoel Florentino de Medeiros Neto é especialista em Ginecologia e Obstetrícia. Além de Membro da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Medeiros já presidiu a Cooperativa de Médicos Ginecologistas de Campina Grande e foi chefe do Serviço de Saúde do II Batalhão de Polícia Militar da cidade. Atualmente está no seu segundo mandato como presidente da Fundação Assistencial da Paraíba – FAP, que esse ano comemora 45 anos de existência. Numa entrevista exclusiva para o Portal Celino Neto, o renomado médico falou sobre a importância da instituição para promoção da saúde no Estado.

 

 

 

 

 

 

 

CN – Este ano a FAP comemora 45 anos de atuação no Estado da Paraíba. Qual o saldo dessa atuação na saúde pública, principalmente para os campinenses?


Manoel Medeiros – A FAP Foi fundada em 1965, pelo médico holandês, Dr Cornélius de Ruthier, por meio da associação – ASSONOR, que tratava de crianças carentes da nossa região. Posteriormente, em 1970, já gerenciada por brasileiros, inaugurou-se uma maternidade com médico plantonista nas 24 horas do dia. Ao longo dos seu 45 anos, foram implementados vários serviços, a exemplo do serviço de Oncologia, destinados à promoção, à prevenção e ao tratamento de seus beneficiários. Por meio de contratos/convênios firmados com instituições formadores de recursos humanos da saúde, por exemplo, a UEPB, UFCG, FCM, este Hospital serve de estágio à extensão, à ensino e à pesquisa de professores e discentes. A demanda mensal ao Hospital da FAP é de aproximadamente 3.000 pacientes/mês, originários de Campina Grande e dos municípios pactuados com a Secretaria Municipal de Campina Grande. A nossa instituição dispõe dos seguintes serviços: Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Clínica Médica , Cirurgia Geral, Oncológica, Hemodiálise e Terapia Intensiva para crianças e adultos. Dentre esses serviços, vale destacar o de Cancerologia, o qual é referência para o interior da Paraíba, no tratamento quimioterápico, radioterápico, cirúrgico e hormonal das afecções oncológicas. Dessa forma, segundo o SUS, trata-se de um Hospital Geral de grande porte.

 

 


CN – O Hospital da FAP é referência em todo o Estado no tratamento contra o câncer, por esse motivo a demanda de pacientes de outras cidades é muito grande. Como é feito o processo para que todos esses pacientes sejam atendidos e tratados?


Manoel Medeiros – O paciente com suspeita de ser portador de câncer e aqueles que já chegam ao serviço referenciados de outros municípios com exames confirmatórios da doença, passam pela triagem e são encaminhados para o especialista. Após avaliação profissional será instituído tratamento: cirúrgico, quimioterápico, radioterápico e/ou hormonal além dos cuidados paliativos. A universalidade da assistência do SUS garante a todo brasileiro tratamento médico, por isso cabe ao nosso Hospital assegurar esse direito àqueles que procuram a nossa Instituição. Porém existe a pactuação entre municípios e aquele paciente de município que pactuou serviços com a Secretaria de Saúde de João Pessoa, será encaminhada para tal, é assim que funciona a política do SUS.

 


CN – Recentemente foi inaugurado o novo centro cirúrgico do Hospital. Que tipo de suporte o centro trouxe ao tratamento dos pacientes?


Manoel Medeiros – A FAP contava com excelente centro cirúrgico, com essa reforma, além da preocupação com humanização da assistência, foi criada a sala de recuperação pós-anestésicas e adquiridos equipamentos médicos com tecnologia de ponta. Com esses melhoramentos conseguimo alavancar a qualidade, a segurança e o conforto aos beneficiários principalmente da rede SUS. Com seis salas cirúrgicas funcionantes fazemos em média 400 cirurgias/mês, 60 delas na área de oncologia.

 

 


CN – Qual tem sido o papel do Conselho da FAP nas conquistas realizadas até agora?


Manoel Medeiros – A FAP como instituição filantrópica é dirigida pelo Presidente eleito e 14 membros do Conselho Deliberativo, os representam as seguintes vertentes da sociedade: governo estadual (1); governo municipal (1); UFCG (1); UEPB (1); FIEP (1); entidades religiosas (3); Associação Rural (1); Associação Comercial (1); e mais 5 eleitos por esses 10 membros dos vários seguimentos da sociedade, como: justiça, imprensa , empresários, entre outras, devendo-se porém , obrigatoriamente, um deles ser médico. As conquistas, abaixo relacionadas, foram conseguidas nessas duas gestões como presidentes, com a efetiva participação, apoio, anuência, cumplicidade, zelo e dedicação desse ilustres companheiros. Ei-las: conclusão da reforma da ala D; ampliação e reforma da Maternidade e ala C; ampliação e reforma da Pediatria e UTI neo-natal; aquisição de frota de 4 novos veículos; reforma e ampliação da ala Clínica Oncológica e serviço de Quimioterapia; reforma total e ampliação do serviço de Radioterapia; aquisição do primeiro Acelerador Linear através de doação; aquisição de vários equipamentos médico-hospitalares, para todos os setores do hospital, UTIS, Centro Cirúrgico, maternidade, Hemodiálise, laboratório, entre outros; aquisição de um grupo gerador; aquisição de uma Usina de Oxigênio; Informatização do hospital, e investimento contínuo em qualificação profissional dos funcionários, entre outros.

 

 

CN - É possível apontar as principais dificuldades enfrentadas pelo hospital durante todos esses anos de atuação?


Manoel Medeiros – Sim, desde a sua fundação a FAP enfrenta problemas de ordem financeira. O Dr Everaldo Lopes me afirmou que, a construção da segunda etapa deste hospital só foi possível com a obtenção de recursos financeiros dos governos holandês, suíço, alemão e brasileiro. Hoje a nossa grande dificuldade continua sendo a financeira, visto que o nosso maior faturamento origina-se do SUS. Como os valores dos procedimentos da tabela são muito defasados (há 10 anos!), dificulta o bom funcionamento da FAP. Todavia, mesmo na dificuldade, investimos e crescemos. Vale salientar que além do repasse da verba oriunda do SUS, via Secretaria de Saúde do Município que é o nosso grande parceiro e que na contratualização aumentou o nosso teto financeiro, temos ajuda substancial por parte da SOCIEDADE CIVIL DE CAMPINA GRANDE, por meio de doações, via TELEMARKETING. Essas doações contribuem sobremaneira para as reformas, melhorias e aquisições de novos equipamentos. Também recebeu recursos financeiros através de emendas parlamentares e convênios, dos seguintes políticos do nosso Estado: governdaor José Maranhão, senador Efraim Morais, ex-governador Cássio Cunha Lima, deputado Vitalzinho, deputado Damião Feliciano, deputado Rômulo Gouveia, deputado Marcondes Gadelha, deputado Efraim Filho, ex-dep Enivaldo Ribeiro, ex-dep Carlos Dunga, ex-dep Walter Brito Neto, entre outros. A FAP e a comunidade campinense agradecem esse relevante apoio, sempre com pensamento voltado ao melhor atendimento aos nossos beneficiários principalmente aos mais necessitados.

 

 

CN - Apesar de atender um grande número de pacientes do município de Campina Grande e cidades circunvizinhas, a população não tem muito conhecimento sobre os serviços oferecidos pela FAP. Fale-nos um pouco sobre isso.


Manoel Medeiros – O Hospital da FAP funciona com duas vertentes: primeira - Hospital Geral nas seguintes especialidades: Pediatria , UTI neonatal e UTI infantil; Obstetrícia com maternidade modelo com uma média de 250 partos mês; Clínica Médica, Nefrologia, Gastrenterologia e Endoscopia digestiva alta; Cirurgia geral, Cirurgia Ginecológica e Urológica, Cirurgia da Cabeça e do Pescoço; Mastologia; UTI Adulto e Serviço de Hemodiálise e Cirurgia Plástica. Segunda vertente: CENTRO DE CANCEROLOGIA DR ULISSES PINTO BRANDÃO - Instalado em edificações anexas ao Hospital (onde funcionava a antiga Faculdade de Medicina de Campina Grande) e consiste num serviço multi e interdisciplinar, e dispõe de: 27 médicos especialistas nas várias áreas médicas tais como: mastologia , ginecologia e patologia do trato genital inferior, urologia, cirurgia geral e oncológica, cirurgia de cabeça e pescoço, cirurgia plástica e dermatológica; três oncologistas clínicos, 1 hematologista, 1 radioterapeuta, 1 fisico biomédico, além de assistente social, enfermeira, bioquímicos, psicólogo, técnicos de radiologia e de enfermagem, pessoal de apoio logístico além de voluntários e um grupo de apoio a pacientes portadores de câncer - AAPC, que fazem um excelente trabalho de humanização com muito carinho e AMOR aos pacientes.

 

 


CN – Uma grande conquista para o tratamento do câncer foi a aquisição do Acelerador Linear. Do que se trata exatamente esse aparelho?


Manoel Medeiros – Sem dúvida a maior conquista da FAP nos últimos 17 anos. O Acelerador Linear é um equipamento que trata o câncer produzindo fótons (radiação) de alta energia. O benefício proporcionado à população paraibana é poder tratar uma quantidade maior de pacientes acometidos de câncer com uma chance (possibilidade ) maior de cura. Nessa técnica de tratamento tridimensional (conformacional) com irradiação de alta energia associado ao sistema de planejamento (Eclipse), a quantidade de dose para irradiar o tumor pode ser maior, com redução da agressão do tecido sadio. Vale ressaltar que o principal elemento de cura é o diagnóstico precoce.

 

 


CN – A vocação da FAP é se tornar um Hospital Escola. Como anda o projeto?


Manoel Medeiros - A FAP na sua essência fomenta extensão, ensino e pesquisa no eixo da promoção, prevenção e da medicina curativa. Quanto à certificação de hospital de ensino o processo caminha, e estamos nos estruturando para em momento oportuno solicitarmos ao Ministério da Educação a visita para avaliação, isto é um sonho que todo o Conselho Deliberativo almeja! alcançar. Vale informar que, no momento atual, estão sendo desenvolvidos cerca de nove excelentes trabalhos científicos de tese de Doutorado e Pós –Doutorado.

 

 


CN – A FAP tem um número expressivo de doadores que contribuem em média com valores de cinco a dez reais. Como funciona isso?


Manoel Medeiros – Funciona através do nosso telemarketing composto de 25 funcionários da instituição: 12 operadoras, 11 mensageiros e 2 na coordenação. As operadoras fazem os contatos telefônicos, residenciais ou no trabalho, esclarecem a importância social da campanha, informam sobre os nossos serviços e pedem doação, aos contactados; caso a pessoa contactada queira contribuir, será agendado o dia em que o nosso mensageiro irá buscar o valor que foi acordado. Aproveito esse espaço para agradecer a toda sociedade civil de Campina Grande que com essa valorosa ajuda, são possíveis reformas, melhorias das nossas instalações, aquisição de equipamentos, material e medicamentos. Dessa forma, proporcionamos aos nossos pacientes da rede SUS, melhor condição de assistência e de segurança ao diagnóstico e ao tratamento.

 


CN - Do ponto de vista de novos projetos e investimentos, qual o futuro do Hospital da FAP?


Manoel Medeiros – Como já citamos acima, estamos em processo junto ao Ministério da Educação para a certificação do nosso Hospital como Instituição de Ensino, pois na sua estrutura de base e estatutariamente a FAP fomenta extensão ensino e pesquisa, por isso temos convênios e parceria com todas as universidades públicas e privadas de Campina Grande. Além disso, temos um projeto de grande magnitude social, que é comprarmos um automóvel tipo furgão e colocarmos um mamógrafo, acoplado e sairmos no interior da Paraíba fazendo mamografias preventivas em busca ativa do diagnóstico precoce de câncer de mama. Como sabemos em mulher foi o câncer que mais aumentou na Paraíba. Outro projeto futuro além de ampliação do Centro de Cancerologia Dr Ulisses Pinto Brandão, seria a construção de uma Ala de Assistência Especial, com infraestrutura de recursos humanos especializados e multidisciplinares para pacientes terminais, sem chances de cura, permanecer em atenção paliativa humanizada e junto aos seus familiares até a morte.

 



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